Por que eu leio?
- Luiz Borges
- 19 de mar.
- 2 min de leitura
Leio porque é bom. Porque enobrece a alma. Porque dá sentido à minha existência.
Não, esses não são os reais motivos de eu ter o chamado hábito de leitura.
Percebi, ao longo da vida, o quão desconhecedor do mundo sou e que a leitura, para mim, é apenas um meio de compreendermos nossa realidade. Poderia argumentar que um sábio pode ser sábio sem ler. Talvez seja verdade. Mas o que garante que a interpretação de mundo desse sujeito não carece de outras visões? Como poderíamos enxergar o mundo através de diferentes óticas, senão pela leitura?
Se optarmos por conhecer o mundo tendo como base apenas nossas experiências pessoais, corremos o risco de construir uma interpretação tendenciosa e, por que não, falaciosa? Não precisamos ir para a prisão para entender o que esse ambiente representa. Podemos ler Dumas, Levi ou Dostoiévski.
Não leio tanto quanto gostaria. Gostaria de ler mais. Ler é uma tarefa árdua, que muitas vezes não realizo por puro prazer lúdico. Leio por obrigação. Uma obrigação interna.
Tenho para mim que um dos marcadores para avaliar o avanço de uma sociedade é a quantidade de livros que ela lê. Talvez isso não seja verdade, pois há 50 anos provavelmente se lia mais do que hoje e, ainda assim, a expectativa de vida era menor. Deixe-me com meu aforismo! Gosto de pensar assim. Gosto de pessoas que leem, pois elas geralmente têm algo a dizer. Aprecio também quando perguntam o que estou lendo; nada me dá mais prazer. Aquele pequeno prazer vulgar, nutrido por uma vaidade disfarçada, uma humildade recatada, porém ainda visível. Sim! Sinto prazer em conversar sobre meus livros.
Leia, meu amigo. Leia para que o mundano se torne aceitável. Leia para aprender a ser tolerante e, ao mesmo tempo, não tolerar. Delicie-se com as obras de Ésquilo. Discorde das teses de Marx. Concorde com Bauman. Faça o que quiser, mas leia.

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